domingo, 8 de janeiro de 2012

Pastiche

Eu deveria tentar escrever com palavras rebuscadas ou significados ocultos, mas me ponho assim, exposta, crua e aberta. Ai tento alguma técnica pós-moderna de metalinguagem ou autoficção. Ou talvez essa seja a técnica mais antiga. Todas fórmulas prontas e repetidas como milhões de textos repetidos em milhões de filmes repetidos e com milhões de finais repetidos. E vou me fazendo assim, de repetições, cópias e pastiches. Não gosta de pastiche? Não gosta de se pensar como cópia? E Aquele velho diálogo platônico sobre simulacro? Simulacro de nós mesmos. E vou me achando dentro de letras e teorias para tentar justificar que eu realmente posso ser algum tipo de artista, ter algum tipo de escrita, ou poesia, ou ideia. E esse texto vai se tornando cada vez mais confessional, e só o fato de declará-lo como confessional, faz com que eu tenha conciência de alguma teoria literária. Não, não faz. Não sou escritora, não vivo a paisana da vida, não tenho grandes verdades ou grandes percepções. Não sou nada daquilo que a arte se propõe. Não sou a ruptura, não sou a transgressão. Certo, Platão? Sou só cópia. Cópia de cópia de cópia é alguma arte? É arte em cima de arte? E essa é a parte que eu mais odeio, quando eu nem sei se sou mais escritora, se sou apenas leitora, ou se sou só armargurada. Só sei que deixei, deixei tudo e fui guardando essas palavras dentro de um vidro. São palavras embaraçadas em nós tão atados que não desatam quando eu quero apenas cortá-los de mim, do que sou e ser novamente livre. Essa sou eu, um passo de desistir das letras. Vou voltar para minhas pinturas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Hipocrisias de Freud

-Sou um ato falho de amor.

-Nem você acredita nas suas mentiras.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Coração de Eterno Flerte

Só te amei,
porque,
era tudo que eu não queria.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Trecho

[...] Amor não cabê para mim também. O amor é maior que eu. Eu estou em um exílio de mim mesmo e você, você é o exílio da minha vida. Você me mata, remenda meu sorriso. Eu esqueço meus pensamentos. Meu amor já foi igual ao seu. A verdade é que não me entendo por amor. Porque não costura meu sorriso e só? Meu coração anda Caetaneado. Você me deixa solto, me costura, me consome. A verdade é que me sinto só. Apenas só, até o amor me deixa só. Você me solta. Eu eu vou me fazendo em segredos. Você me solta, me deixa, me apaga, me some. Eu só me costuro. Costuro as migalhas de mim. Costuro as migalhas de nosso amor. Se é que um dia foi amor.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Para Outrem

Drummond, Vinícius, Cecília.
Música de amor no rádio.
E eu, clichê,
menina, menino,
poeta,
esquecidos,
Gozo, ferido.

*Texto que nasceu dos devaneios alheios de Vanny Araújo. Dedico.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Limbo

Meu amago, amago corroído
deseja
só deseja o lugar
que o sangue escorre dentro das tripas
e banha seus pés.
Deseja,
deseja poder se corroer com o ácido
de suas palavras
e se recriar em carne viva.
Meu amago, amago corroído
deseja o tiro,
o eco surdo do tiro,
o vazio do tiro
e deseja se engolir dentro de um vazio
vazio cada vez mais vazio.
Deseja,
só deseja um lugar
lugar este, Meu Deus,
que não seja condenado
por desejar beijar o asfalto.

domingo, 16 de outubro de 2011

Em baixo d'água o chá das seis

Mais cega do que poderia estar, só enxergava as bolhas, azul esverdeado do mar sobre mim e sobre todos os olhos que as bolhas das ondas poderiam ter. Provei um pouco do veneno e eu gostei, o amava, por não ter mais o que amar. Viciada em todos os venenos. Em baixo de toda aquela água com o sal que arde a pele, escuto aquilo premeditado, deveria estar surda, era o meu corpo caindo. Estava afundando tempos antes. Eu só queria roubar tudo que os outros tem e falta em mim, mas eles tem a falta. Alguém ainda acredita. Eu só queria ser salva, agora me apaixonava pelo veneno do mar também. Havia perdido a voz. Muitas vozes. Eu só amava tudo que tudo não era. O veneno se espalhava pelo meu corpo e eu amava cada vez mais.