sábado, 24 de setembro de 2011

Livro: Sangue Novo


Gostaria de publicar um agradecimento a todos que seguem, acompanham e gostam dos textos desse blog e ao mesmo divulgar o trabalho do livro Sangue Novo.

O meu objetivo com esse blog é divulgar um pouco da minha literatura e o livro Sangue Novo do Organizador José Inácio de Melo é uma coletânea de Poesias com 21 Poetas contemporâneos, me incluindo com dez textos meus. Então esse post vai para divulgar o trabalho de todos esses autores e incentivar a produção da literatura baiana e brasileira como um todo.

Aqui é o link do Blog do livro: http://sanguenovo21.blogspot.com/ 
No site há o perfil, entrevista e algumas poesias dos outros autores (incluindo seus blogs pessoais). Recomendo com carinho cada um deles.

Para adquirir o livro entre em contato com o email gabrielalvandrade@gmail.com 
O livro tem o valor de 25 reais + frete e se morar em Salvador, é só combinar posteriormente.

Agradeço a todos pela oportunidade e por lerem meus textos!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Fissura



Minha mãe sempre dizia que meus únicos amigos eram os livros . Nem por isso fui estudioso ou fiz uma grande carreira. Minha mãe dizia que celular é o cigarro do meu tempo. Mal sabia do meu uso dos dois. Minha mãe me esperava chegar em casa de madrugada, passava as minhas camisas sociais e largava a novela para me deixar ver o jogo. Minha mãe morreu hoje de manhã. Eu estava fodendo uma prostituta. Minha mãe nem podia imaginar que eu sempre via seu rosto toda vez que gozava.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Epifania

porque toda vez fico esperando sua voz antes de dormir para saber se você lembrou que ontem eu deixei o bolo de chocolate na geladeira e dormi vendo televisão e não perguntei se você preferia primeiro jantar ou tomar banho eu não terminei o capitulo do livro para ouvir você reclamar do trabalho nas madrugadas de quinta feira e como tantas vezes me faço desaparecer para você surgir e ver se me encontra com uma notícia boa ou para dividir o bolo fico esperando um bilhete uma carta um telefonema com sua voz lembrando a mim mesma de existir e cada dia vou me espreitando em busca das migalhas de amor em sua voz rouca e em suas mãos cheia de calos sobre a minha pele procuro migalhas nesse vazio infinitas vezes infinito migalhas de vazio para que me perca vazia nesse amor de amor

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

As formigas andam por debaixo da minha pele. Jogo na sorte se a bebida é um veneno, aquilo que te tira de mim. Cada dia é um suicídio. É mais fácil eu largar meu vício no cigarro do que meu vício por você. Então, baby, desejo a nossa morte.

Beijos,

G.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Cora de rosa, Ana

Ana só comia bolo de laranja
Gostava de bola e de rosa
Gostava do cheiro do café
Gostava de anagrama, como Ana
Ana ainda acredita em príncipes
Vivia um pouco da sua vida
Vivia um pouco outras vidas
Vivia no coração dos outros
E no seu coração, apenas
Pedaços de bolo de laranja.

sábado, 16 de julho de 2011

Cantata


"Como aconteceu com um amigo de um amigo meu"
(Érika Machado)

E ela só comia um terço da maçã. Um terço para emagrecer. Seu cabelo não era à prova d'água. Molhava e enrolava. Só usava óculos em casa. Era de batom e lentes. Sempre. Como naquela música, que cantarolava baixa. Aquela de amor. Assim não se perdia dentro de si mesma. Não perdia para o amor. Ou se perdia. Não tinha erro, não tinha fardo, não tinha doce, não tinha sal. Era um pouco do Carnaval. Era um pouco só dela. Jamais me olhava no olhar. Menina, me olha um dia, entrega-me seus lábios. Ao menos nos meus sonhos.


segunda-feira, 27 de junho de 2011

Carmélia

Mil abelhas velhas picam meus joelhos.
E ajoelhada, eu rezo, para meus amores
voltarem com o seu mel.

E talvez eu durma um pouco,
ao som das velhas do Roberto.
Só músicas de saudade no rádio.

Espero.
E só espero.
Até não lembrar mais.

Os meus amores não vem.
As abelhas ainda voam.