quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Segredos alinhados

Eu perco o chão
Eu não acho as palavras
Eu ando tão triste
Eu ando pela sala
Metade -   Adriana Calcanhoto

-Você sabe que eu não sei escrever diálogos e já estou enjoada de escrever esses textos de amor.

-Então porque faz isso?

-Porque só sei falar do mesmo.. Não, não! Reticências eu não uso. Porque só sei falar do mesmo e tenho que tentar falar do mesmo de outras formas.

-Aliais, o que faz aqui no meu monólogo?

-Não era um diálogo?

-Não, é um monólogo sobre o que eu penso sobre você, sobre o amor, sobre clichê e sobre reticências. Nada muito novo.

-Então ficarei calado.

-Pois bem. *Cof, cof* Sabe, quando você segura meu cabelo e eu me derreto toda em amor, sabe? Mas na mesma hora você não responde uma pergunta ou todo o mundo parece mais interessante que eu? Sabe, sabe? Responde, para de olhar assim!

-Não era para eu ficar calado?

-Isso já deu errado muito tempo. Pois bem, nessas horas que meu coração vai se esmigalhando entre te amar e em viver das migalhas que me dá. Penso que quando nos casarmos e tenhamos nsosos filhos, eu não estarei me perguntando porque eu insisto em eme magoar para receber apenas suas migalhas? Você só me olha assim, como se eu falasse em alemão e sofresse de histeria.

-Não sei mesmo. Acho que toda essa migalha e todo esse amor são exatamentes o esteriótipo de mulher que você escreve em seus textos.

-Eu sei disso. Eu que estou escrevendo. Eu que escrevo você.

-Então se sabe desse clichê, desse amor, das reticências. Por que teima em recriminá-los se é tão necessário para que se sinta tão você?

-Porque eu sei que posso usar reticências da maneira certa. Podia me encher delas. Aqui ... ... ... ... ... ... ... Milhões delas para você. Eu e você somos o que eu escrevo. E aqui, onde posso usar todas as reticências e fazer o que eu quero, eu escolho. Escolho que sofrer por amor é o meu luxo.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Pastiche

Eu deveria tentar escrever com palavras rebuscadas ou significados ocultos, mas me ponho assim, exposta, crua e aberta. Ai tento alguma técnica pós-moderna de metalinguagem ou autoficção. Ou talvez essa seja a técnica mais antiga. Todas fórmulas prontas e repetidas como milhões de textos repetidos em milhões de filmes repetidos e com milhões de finais repetidos. E vou me fazendo assim, de repetições, cópias e pastiches. Não gosta de pastiche? Não gosta de se pensar como cópia? E Aquele velho diálogo platônico sobre simulacro? Simulacro de nós mesmos. E vou me achando dentro de letras e teorias para tentar justificar que eu realmente posso ser algum tipo de artista, ter algum tipo de escrita, ou poesia, ou ideia. E esse texto vai se tornando cada vez mais confessional, e só o fato de declará-lo como confessional, faz com que eu tenha conciência de alguma teoria literária. Não, não faz. Não sou escritora, não vivo a paisana da vida, não tenho grandes verdades ou grandes percepções. Não sou nada daquilo que a arte se propõe. Não sou a ruptura, não sou a transgressão. Certo, Platão? Sou só cópia. Cópia de cópia de cópia é alguma arte? É arte em cima de arte? E essa é a parte que eu mais odeio, quando eu nem sei se sou mais escritora, se sou apenas leitora, ou se sou só armargurada. Só sei que deixei, deixei tudo e fui guardando essas palavras dentro de um vidro. São palavras embaraçadas em nós tão atados que não desatam quando eu quero apenas cortá-los de mim, do que sou e ser novamente livre. Essa sou eu, um passo de desistir das letras. Vou voltar para minhas pinturas.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Hipocrisias de Freud

-Sou um ato falho de amor.

-Nem você acredita nas suas mentiras.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Coração de Eterno Flerte

Só te amei,
porque,
era tudo que eu não queria.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Trecho

[...] Amor não cabê para mim também. O amor é maior que eu. Eu estou em um exílio de mim mesmo e você, você é o exílio da minha vida. Você me mata, remenda meu sorriso. Eu esqueço meus pensamentos. Meu amor já foi igual ao seu. A verdade é que não me entendo por amor. Porque não costura meu sorriso e só? Meu coração anda Caetaneado. Você me deixa solto, me costura, me consome. A verdade é que me sinto só. Apenas só, até o amor me deixa só. Você me solta. Eu eu vou me fazendo em segredos. Você me solta, me deixa, me apaga, me some. Eu só me costuro. Costuro as migalhas de mim. Costuro as migalhas de nosso amor. Se é que um dia foi amor.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Para Outrem

Drummond, Vinícius, Cecília.
Música de amor no rádio.
E eu, clichê,
menina, menino,
poeta,
esquecidos,
Gozo, ferido.

*Texto que nasceu dos devaneios alheios de Vanny Araújo. Dedico.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Limbo

Meu amago, amago corroído
deseja
só deseja o lugar
que o sangue escorre dentro das tripas
e banha seus pés.
Deseja,
deseja poder se corroer com o ácido
de suas palavras
e se recriar em carne viva.
Meu amago, amago corroído
deseja o tiro,
o eco surdo do tiro,
o vazio do tiro
e deseja se engolir dentro de um vazio
vazio cada vez mais vazio.
Deseja,
só deseja um lugar
lugar este, Meu Deus,
que não seja condenado
por desejar beijar o asfalto.